Monumento Revolta Ribeirão Manuel

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segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

O fim de uma jornada para várias jornadas.



A participação de Cabo Verde no CAN foi coroada de sucessos. Sem passar para meias finais, o grupo cabo-verdiano deu mostras de querer e de movimentações fora de normal da nossa vivência colectiva. Aparte da política, que nos períodos de campanha movimenta milhares de money, a participação do footbol cabo-verdiano não precisou de money, aliás esse subtrai-se pela emoção granjeada na nossa psicologia colectiva muito sonegada ultimamente. 
Estou muito orgulhoso pelas correntes correntes positivas, vezes invisíveis e outros, simbolicamente representada nos nossos símbolos. Construções simbólicas que fazem inveja aos poderosos deste planeta terra, tubarões pós-moderno que roça incursões holiwoodescas com toques e retoques artísticos que embala qualquer alma. O "tubarão é mau" tornou-se num bicho manso, alegre, acolhedor que ama transversalmente etnias, credos e valores mundiais.  
Só peço continuidade. Nós precisamos construir todos os dias energias positivas. Bons exemplos, como esses, precisam ser cultivados e salvaguardados. Como sabemos qualquer tentativa de resfriamento da emoção ou da criatividade faz com que as coisas percam a chama e o brilho. Ainda temos muitos desafios pela frente. E as palavras bonitas que já ouvi do Governo não pode morrer oca. Refiro-me a industria criativa. Acho que já começou na net. Notaram? É isso aí. Os criativos em acção. 
Obrigado Rapazes. 

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

A Casa Museu Cesária Évora


A Casa Museu Cesária Évora, no Mindelo, ilha cabo-verdiana de São Vicente, vai ser inaugurada a 14 de abril próximo, disse o ministro da Cultura de Cabo Verde, citado hoje pela agência Inforpress.
Fonte: DN 

O nosso simbólico aproveitado por outros

A Semana publica: "venda de produtos de Cabo Verde dispara nas lojas chinesas" 
Agora eu pergunto: de quem é a culpa? Os chineses ou cabo-verdianos? Até quando parámos de mandar boucas e aproveitar oportunidade de negócio do que é nosso? Se tivesse money estaria na linha de frente nesse negócio do simbólico. Mas enfim! Quem qui naci largatixa é complicadu lagadji pamodi banco ca ta npresta money sem garantia. Definitivamente nós nunca sabemos aproveitar os negócios do simbólico de Cabo Verde. Quando as coisas se organizarem terei a oportunidade. Deus é Grandi! 

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Deixem os tubarões no mar

É uma onda gigante que toma o espaço no facebook. Uma onda dos criativos crioulos, espalhados nas ilhas e na diáspora, que subvertem (no bom sentido) a marca dos tubarões azuis num oceano de criatividade. É um fenómeno contagiante sem memória na «netlândia». Afinal os cabo-verdianos são criativos! Que tal aproveitar esses talentos para revolucionar a marca cabo-verdiana? Existe vários elementos identitários que bem merecem o tamanho desempenho. O orgulho seria enorme e os ganhos também. Eis as criações que partilho para si: 
 Ivan Moniz
David Chantre
Di Tudo 1 Pouco (Bruno Moura)
Fábio Tsti Art & Techology

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

localidades criativas II.


Uma das experiências de localidades criativas em Cabo Verde, de enquadramento diferente, é a do Lajedo em Santo Antão. No quadro da economia solidária, a ONG Atelier Mar é a responsável pelo projecto de desenvolvimento integrado e sustentável cujos parâmetros abrangem à educação comunitária, micro produção de produtos locais, espaço museológico, e outros itens. 

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Localidades criativas I.


Existem bons exemplos de desenvolvimento local em Cabo Verde que aposta na criatividade e nos recursos endógenos. O Projecto Porto Madeira nasceu de uma tentativa de povoar uma localidade do Concelho de Santa Cruz, Porto Madeira, com imaginações e criatividades. O abandono por parte dos habitantes para outras localidades da ilha de Santiago contribuiu para uma espécie de regeneração do território aliando a comunidade local, território e o seu património. A Misá, artista plástica, foi a mentora do Projecto que tanta alegria tem trazido às pessoas da localidade. 
A aposta no turismo rural é a estratégia utilizada, com a reactivação de muitas casas, e animação do território com inúmeras construções simbólicas; arte ao ar livre que se conjuga com a natureza fértil e pura. 
Para nós, esta é uma das estratégias que o País precisa para o seu desenvolvimento sustentável. 
Quando tivermos a oportunidade, mostraremos várias localidades que estão em processo de erosão populacional. O Senso Agrícola e de Habitação realizado em 2009 aponta para isso mesmo. Infelizmente ninguém produziu relatório sobre esse fenómeno de abandono habitacional e do território em Cabo Verde. 
Que tal apostar em reactivação dessas casas e territórios para o desenvolvimento do turismo rural e urbano? 

sábado, 19 de janeiro de 2013

É hoje que a nossa selecção joga!

Força Cabo Verde, para frente que é caminho. Orgulho e muito amor da nossa terra!

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Curiosidade sobre Amilcar Cabral



É comum afirmar Amilcar Cabral como figura incontornável da descolonização dos países africanos. Os seus feitos constituem manifestos de intervenção para a mudança social, política e cultural. Para além de ser um ideólogo, estratego, pensador, poeta, a sua imagem com o barrete conquistou o imaginário de muitos jovens cabo-verdianos e guineenses.
O barrete “sumbia” foi-lhe oferecido por Tomane Seidi, da região de Morés (Guiné Bissau), quando se encontrava em Conacri (Castanheira, 1999).
Muitos dos seus seguidores e admiradores, ainda, usam o barrete enquanto estilo e ethos que corporiza os seus ideais e ensinamentos. É de referir que o uso de barrete é transversal a várias gerações. O seu impacto sociológico deve ser investigado. 

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Olé Tubarões Azuis, nossa selecção



Cabo Verde é o nosso Património. Faltam dois dias para a inauguração da CAN (Campeonato da Africa das Nações). Para além de ser um torneio, é a nossa selecção, a nossa marca, a nossa identidade que está na parada do Continente Africano e no mundo. Descolonizemos a nossa mente para apoiarmos a nossa selecção. Com apoio moral, e espiritual, é fundamental para o sucesso da participação. Olé Cabo Verde.  

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

A Cidade Velha; reencontro com a História



A Cidade da Ribeira Grande, conhecida como a cidade velha, já foi nova. Sofreu no compasso de espera como muitos corpos que se tornaram adultos. De corpo presente, presenciara na sua ventre inúmeras atrocidades, mas também de criação de novos corpos no cruzamento de ADN. A crioulização do novo mundo muito se deve a este modesto poisio dos sexos forçados e tolerados. Na falta de mulheres brancas e de boa qualidade, só servia os corpos dos corpos desnaturados vindo do continente africano, concretamente da costa oeste africana. Situações houve em que corpos de corpos desnaturados se relacionavam e se reproduziam numa relação horizontal de criações. A diferença no tecido social era evidente; de corpos de tez diferentes – brancos, mulatos e pretos-, relações de poder diferente.
A Cidade enquanto moça era pequena mas enorme na sua desenvoltura. Apetitosa, libidinosa e desenvolta nas suas aspirações; comercio alargado, relações facilitadas, e vantagens continentais. Inclusive já granjeara fama no panorama transatlântico e nos trópicos como entreposto comercial de comércio do corpo humano mas também por ser a primeira cidade nos trópicos. Por isso é que dizemos que já foi moça traquina nos seus tempos da juventude ao servir de camas, berços da criação e da mortificação dos corpos. Outrossim, o seu contributo enquanto laboratório de animais, plantas de formação de ladinização dos escravos para outras latitudes. Os corpos eram cunhados de códigos linguísticos que o prelado e outras forças eclesiásticas mencionavam com orgulho. Ensinar e formar almas desnaturadas. Almas que não conheciam a civilização. De grilhões e correntes aprendiam as línguas do poder, por que o futuro era o Brasil, Portugal, Sevilha e outros confins do mundo. 

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Visitas ao museu; tentativa de um ensaio



No compasso do tempo, o trabalho de reconciliação com a memória do passado é regatar momentos ocultos que se encontram varridos do ambiente da cidade neurótica. Mais do que deambular pelas faces minguadas e de bocas ruinadas dos mais velhos, é ouvir as suas vozes, os seus testemunhos do tempo que já fora. Nos dentes decantes que testemunham as ruinas da cidade velha, as cariátides, colunas, capiteis, o pelourinho, os artefactos, etc., sufragam clamores e desejos de arranjos. Arranjo! Não quer dizer um trabalho de luto para enterrar os mortos que a esquina do tempo se encarregou de apagar; mas de reconstrução da memória em suporte activo que eduque os mais jovens.
O museu é mais do que um edifício que faz paredes meias com o vizinho que chora e implora para uma visita e um olá. Os vizinhos da cidade, os tais citadinos, fraquejam na densidade dos desafios, desconhecem a sua história e tremem perante os desafios da vivência civil. Os jogos das lembranças e esquecimentos são descurados nos seus paleios diários; só se gravitam em conversas efémeras, de consumismo empolgante, de farras falocêntricas. Por não haver investimento no simbólico, desenvolvem-se em retrocesso nas suas memórias. O processo mnemónico é processo de musculatura do tecido social; recorrer a memória colectiva é jogar em várias frentes: a história, o presente e a projecção. O museu enquanto lugar de memória, é um activo da memória. 

Mar-blues: sodade, oh mar, oh gente…II




O ser e o saber do mar 


No vulcão cozem os prazeres. A bandeira é tirada para cobrir a boca do vulcão para ninguém testemunhar a cozedura dos corpos. O cavaleiro leva a haste para servir de estrutura do foguete. Sulca montanhas e vales, navega pelas nuvens, proclamando a festa; gritos alegres encontram ouvidos em vários acasos da ilha. Pequenos montes e montanhas convivem aos sons dos pássaros que por lá aportam, sempre sob olhar vigilante do vulcão, o portão identitário. As estrelas cruzam o céu, mergulham nas nuvens timidamente; a lua sopra com lábios carnudos para o queixo do Minó di Mama. Que convencido a alma, vaidoso que ganha coragem com o violino, inventam gestos e gestas de cortês para o alvoroço das senhoras. A Miloca está quieta. Os seus olhos brilham na vertente da lua que o Minduca recolhe com desejo.
A bandeirona também é vagabunda. Deambula pelas ruas numa performance contagiante; os textos, os atores e o público harmonizam-se em verve colectiva numa harmonização horizontal. Todos são convocados. Todos proclamados senhores da festa. Todos transportam e transpiram energia. No rufar do tambor, no toque-toque do pilão e na dança-dança geométrica das senhoras. O Osvaldo manco, quedo no seu canto, faz de sofista qual sofisma! Qual etiquetas, qual quê! O homem canta e encanta; faz comício para as gargalhadas dos presentes. De bokarum, canizadi é só amizade. O vulcão é a música; é o público; é o texto.  Na ilha do Fogo, o tempo está colorido; tons vermelhos, verdes, azuis, de berrantes até cega as almas. Os convivas calcorreiam os espaços, de transeuntes anónimos de sorrisos abertos. Os carros voam com baterias de sons, descem do sopé do vulcão.
Enquanto isso, na greta do mar, os barcos sulcam o oceano. Balanceiam ansiosos para novas paragens. No sotavento, o vento é amarrado no lençol. Ventos acumulados e trabalhados para fazerem de batuques e tambores na ilha de Santiago.
Olha Santiago bem perto, de peito largo no seu cavalo. Bate com brio no cavalo e varre o tempo com prenúncios de bem-vindos. Badias tagarelam no pelourinho, de bocas aguçadas cospem paleio; «freguês, não queres nada», «produto barato e de qualidade». A classe média, nacionais e turistas, declina o convite; a moldura do corpo padronizado reprime qualquer diálogo social. (continua)…

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Mar-blues: sodade, oh mar, oh gente…

O ser e saber do mar


I.             
O mar, para além de ser uma tela gigante, aporta memórias de outros tempos, lugares e sonhos. Traz ainda o sopro sinfónico que atravessa às ancas do tempo, na salutar festa de São João de moças de «rabolas» incandescentes na rosca-rosca com os rapazes da terra. Brios soltos no palavreado regional, no encontrão de sexos na peleja do refeitório pagã. Gestos sortidos e curtidos entram em transe. Mocinhos e mocinhas, de Santo Antão e São Vicente, recriam a tragédia na orgia, no caos de guerra fria. Os corpos se trançam; fermentam-se no pousio do desejo. Os ritmos frenéticos se intensificam em cada rufar do tambor. Trata-se de ritos de passagem. Os corpos disciplinados se indisciplina, quebra a rotina do dia-a-dia. As enxadas encontram a paz nesse dia, já não fere o chão. A brisa do mar sopra de mansinho para as ilhas; esfria os corpos e cristaliza os desejos. A carne é exorcizada com a mudança do tempo. A festa dá lugar ao trabalho. Aos afazeres domésticos. Os desejos da carne são mais secretos. Os corpos dos desejos voam para as suas casas, lugarejos da sua santidade. O sopro do mar, na contra corrente, cruza para outras ilhas. Vai ao Fogo ao apagar o vulcão.
A bandeirona também exorciza os maus ares no rufar de tambor. No cotejar sincopados de sons fatigantes, de corpos curvos e trémulos que o grogue fermenta. A brisa do mar traz brio no corpo das ilhas. As várias almas do tempo, no compasso de um caminhar caótico, seguem em transe para vários vales, cutelos e cidades da ilha. O tempo metamorfosea a vida. Sacrifícios dos animais que choram a sua morte, de olhos arregalados que gotejam berros. Facas de golpes e em contragolpes, de corpos caídos no palanque da festa. Os caldeirões fumegantes e cantantes dão azia aos convivas, enquanto esses cheiram e snifam a morfina da fome. Na ilha do Fogo, a romaria começa ordenada com antecedência. Os patronos conspiram os desejos e consumos; arranjam a urbe para o carnaval fora do tempo. Líquidos brotam do vulcão, sacodem as almas no canavial de São Filipe. No sopé do vulcão faz-se os primeiros acordes para uma nova largada. O sentido é cruzar vários pontos das ilhas no salutar momento harmónico de convívios. A bandeira é desenterrada para vencer o céu. Bradar ao céu para dialogar com o sol e a lua. A lua «noba» de corpos de desejos que se hospedam no vulcão. (continua). ….