segunda-feira, 28 de março de 2011

Março Mês do Teatro: Distinção e lançamento no Dia Mundial do Teatro


 
 
A Cooperação Portuguesa recebe este domingo o Prémio de Mérito Teatral, atribuído pela Associação Mindelact, em São Vicente.
A decisão é justificada por a Cooperação ser "um parceiro de sempre" da associação, e pelo contributo dado para o desenvolvimento do teatro em Cabo Verde, lê-se numa nota enviada às redacções.
Numa primeira reacção à notícia, tornada público a meio da semana passada, a embaixadora de Portugal em Cabo Verde garantiu estar "reconhecida" com a distinção.
Graça Andresen Guimarães destacou a importância da troca de experiências e conhecimentos entre os dois países no domínio cultural.
"Este prémio tem um significado especial, por ter sido concedido por uma associação com o prestígio que já alcançou a Mindelact", afirmou.
"Na consciência da riqueza que a cultura cabo-verdiana encerra e da importância que tem no reforço da identidade e coesão nacionais, e na projecção do país na esfera internacional, a Cooperação Portuguesa tem, de forma contínua, assegurado o apoio à valorização da tradição das artes performativas, no contexto do qual se inscreve a colaboração com a Associação Mindelact", acrescentou.
O Prémio de Mérito Teatral, que será entregue numa cerimónia a ter lugar dia 27, domingo, no Centro Cultural do Mindelo, foi criado em 1999.
O galardão é simbolizado por uma estatueta em bronze, concebida pelo artista plástico Manú Cabral.
Desde a sua instituição foram distinguidos grupos e personalidades ligados à criação artística ou à divulgação e promoção da arte performativa. Em 2010, o vencedor foi o actor e encenador João Branco, que presidente à Associação Mindelact.
Lançamento
Pouco antes da atribuição do prémio é lançado o livro de teatro "Trilogia II", em edição bilingue. A autoria é de Armindo Tavares (ver caixa) e a apresentação estará a cargo da linguista Dora Pires, para quem os textos "são de agradável leitura e fáceis de serem encenados e colocados em acção no palco".
A professora universitária reconhece a importância do livro. "Esta obra reveste-se de muita importância pois é uma obra bilingue em que será mais fácil apresentá-la quer na língua portuguesa quer na língua cabo-verdiana, pois não será necessário traduzi-la".
"É importante porque é uma obra escrita por um dramaturgo luso-cabo-verdiano, com outras peças escritas e publicadas, conhecedor e formado na área, que alarga assim as publicações dos textos dramáticos, enriquecendo a literatura cabo-verdiana", conclui.

Cooperação Portuguesa distinguida com Prémio de Mérito Teatral. Armindo Tavares lança "Trilogia II" em edição bilingue.
Discurso Directo
"Preocupo-me com a preservação da nossa cultura oral"
"O Duco Chegou", "Pedrinho de Nha Joana" e "O Cão e o Macaco" são os três textos que integram o livro "Trilogia II", obra do dramaturgo cabo-verdiano Armindo Tavares, que vai ser lançada no próximo Domingo, no Centro Cultural do Mindelo.
Porquê estas três peças?
Todas as minhas peças - que já são dezenas - são extractos da cultura cabo-verdiana e da vivência das suas gentes.
Conforme se pode depreender através da introdução do meu primeiro livro, "As Aventuras de Nhu Lobo", preocupo-me, sobremaneira, com a preservação da nossa cultura oral e tradicional, sem dó abandonada por causa da tão louvada telenovela brasileira. 
Preocupo-me também com defesa da nossa língua materna e em testemunhar que a sua viabilidade na construção de grandes obras literárias cai "gerra katxor" com o português.
Existe, em Cabo Verde, uma escrita para teatro de qualidade?
Há obras cénicas de autores cabo-verdianos de enorme valor. Pena é que não existam incentivos para a promoção desse estilo literário e muito menos valorização dos seus fomentadores que, na maioria, provêm da raia-miúda ou, simplesmente, do anonimato. 
E, muito menos ainda, existe interesse da parte de quem de direito em diagnosticar a situação e tomar decisões adequadas. 
Temos, por exemplo, trabalhos como os do Mário Lúcio Sousa, Jorge Martins - do grupo Juventude em Marcha - do Ano Nobo entre outros, de uma dramaturgia de qualidade inquestionável.
E o teatro que se faz em Cabo Verde, tem evoluído?
O Teatro em Cabo Verde vem evoluindo, felizmente, na medida do próprio apanágio dos cabo-verdianos. Neste momento, sei que mais dois jovens cabo-verdianos concluíram a licenciatura em teatro na escola onde me licenciei e que nenhum deles foi bolseiro, nem tampouco foram absorvidos para ensinarem aquilo que aprenderam nas suas terras. 
Basta repararmos nos grupos espontâneos que surgem nos palcos, exibindo peças engraçadas, embora despedidas de uma dramaturgia adequada.
Que projectos estão na calha?
Em Junho sairá um novo DVD e em Julho um novo livro, edição do autor. Aliás, todas as anteriores edições têm sido assim.

fonte: http://www.expressodasilhas.sapo.cv/pt/noticias/detail/id/23873

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