segunda-feira, 7 de março de 2011

Cinza em Cabo Verde: eventos e visões

Praia: Feira de Cinzas inicia hoje

 
 
A partir desta segunda e até quarta-feira, a cidade da Praia acolhe a primeira edição da Feira de Cinzas. O evento, que resultou de uma parceria entre a autarquia da Praia e o Ministério da Agricultura, irá decorrer no Largo do Auditório Nacional.

A cerimónia de abertura, marcada para as 18 horas, irá contar com a presença do presidente da autarquia, Ulisses Correia e Silva, e do Ministro do Ambiente, Desenvolvimento Rural e dos Recursos Marinhos, José Maria Veiga.

veja a entrevista com o vereador da cultura

António Lopes da Silva: “Queremos transformar as Cinzas num produto turístico”


A festa de Cinzas pode ser um factor de atracção turística. A ideia é defendida pelo vereador da Cultura da Câmara Municipal da Praia. Em conversa com o Expresso das Ilhas, António Lopes da Silva explica as motivações da realização da Iª edição da Feira de Cinzas, e apresenta o programa do carnaval de 2011 na cidade da Praia.
Expresso das Ilhas - Como vai ser o Carnaval na cidade da Praia este ano?
António Lopes da Silva - O programa é composto por três dias de desfile, como sempre, com a participação de crianças dos jardins-de-infância, Escolas Básicas Integradas (EBI), e outros grupos de animação. Na terça-feira de carnaval, dia 8, irá decorrer o desfile na Avenida Cidade de Lisboa, com 3 grupos oficiais, grupos espontâneos, e cerca de sete jardins-de-infância e oito EBI que também querem participar. A autarquia quer dar uma maior atenção aos grupos de EBI, pois têm estado a participar cada vez mais, o que é significativo para o futuro do carnaval na cidade da Praia.
Os desfiles estão agendados para quando e a que horas?
Os desfiles irão decorrer nos dias 5, 6 e 8 de Março. O horário é sempre à tarde, a partir das 14 horas. Partem do Centro Social, na Praça 1 de Maio, e seguem o percurso na Avenida Cidade de Lisboa, como todos os anos. Nos dias 5 e 6, desfilam os jardins-de-infância e pequenos grupos de animação. O dia 8 é o dia do desfile dos grupos oficiais, e também de alguns jardins-de-infância e escolas secundárias.
Quais são os grupos oficiais a concurso que irão desfilar este ano?
Em termos de grupos oficiais, iremos ter os Vindos d' África, do Bairro, e o grupo Inter-Vila, que é da Vila Nova. Na Achada Grande Frente, o grupo "Sem Vergonha" este ano não participa. Mas, um grupo de cidadãos decidiu reunir-se e vão participar este ano, pela primeira vez. Para além disso, temos outros grupos de vários bairros, que irão desfilar apenas como animação. Ao todo, no dia 8 de Março, a Avenida Cidade de Lisboa irá acolher o desfile de cerca de 25 grupos.
Quais as novidades deste ano em relação ao carnaval de 2010?
Este ano, elaboramos um regulamento a partir do qual iremos avaliar não só os grupos, mas também um conjunto de outros elementos, como reis, rainhas, porta-bandeira, bateria, música e andor. Além disso, decidimos aumentar o valor dos primeiros prémios, como forma de estimular a actividade dos grupos e aumentar a qualidade do carnaval. Por outro lado, em relação aos grupos que não estão a concurso, vamos criar uma comissão para fazer uma avaliação da sua participação. Os que tiverem uma melhor prestação irão receber um maior apoio da autarquia no próximo ano. Decidimos isso, porque normalmente damos um apoio, mas como eles não têm avaliação, muitas vezes descuidam-se.

Para além disso, queremos realizar uma exposição de andores, para se ver o trabalho que é feito, que dura muitos dias, e que envolve muitas pessoas, a maior parte de forma gratuita. Também queremos realizar um baile de carnaval na Rua 5 de Julho, no dia 8, com a participação dos Ferro Gaita e dos grupos de carnaval que participaram no desfile. A partir das 20 horas, a população da cidade da Praia está convidada para dançar até à meia-noite.
Qual foi o orçamento disponibilizado pela autarquia para a realização destas actividades?
A nível financeiro, iremos disponibilizar cerca de 4 mil contos, para além de outros apoios. Relativamente aos valores, demos 300 contos aos grupos oficiais, 170 mil escudos às escolas, e 70 mil aos jardins-de-infância que vão desfilar. Aos que não irão desfilar, demos um valor simbólico de 20 mil escudos. A Câmara Municipal não organiza o carnaval, apenas cria condições para que os grupos de cidadãos se organizem. Temos dado uma carta de recomendação, para que consigam mais apoios. Pedimos às empresas e instituições que participem e contribuam, porque o carnaval é um momento importante. Nesta altura de crise, é necessário apoiar para que tenhamos um bom carnaval. 
E no que se refere aos prémios, quais serão os valores?
Quanto aos prémios, para os grupos oficiais, estipulamos apenas o primeiro e o segundo prémios. O primeiro prémio é de 350 contos, e o segundo é de 150 contos. Para o rei e rainha são 30 contos cada um. Além disso, este ano, através da empresa do Fast Ferry, o rei e a rainha também terão como prémio uma viagem até ao Fogo com estadia paga. Os restantes prémios serão para melhor porta-bandeira (dez contos), bateria (quinze contos), música (dez contos) e andor (cinquenta contos). Na categoria das EBI, o primeiro classificado receberá duzentos contos, o segundo recebe setenta e cinco contos, e o terceiro cinquenta contos. O rei e a rainha receberão dez contos cada um, a porta-bandeira recebe cinco contos, a música recebe dez contos e o andor recebe vinte e cinco contos. Baterias normalmente não têm.
Quais serão os critérios de avaliação do júri?
Um dos critérios importantes é o cumprimento do horário. Às vezes, grandes grupos aparecem com demasiado atraso, e acabam por ser prejudicados. Este ano, teremos outros elementos, que pensamos que irão ser importantes. Teremos um jurí com muitos elementos, mas com especificidades. A votação final na música, por exemplo, terá uma componente musical, mas também uma componente global de avaliação. Além disso, queremos que alguns jornalistas e fotógrafos, que acompanham os desfiles, dêem o seu contributo dentro da área que dominam. Este ano, os critérios serão mais exigentes, mas ao mesmo tempo mais participativos. Mas sempre teremos reclamações, pois cada um defende o seu grupo, e a avaliação é sempre subjectiva.
Quais as expectativas da autarquia para o carnaval 2011, em termos de participação dos praienses nos desfiles e de afluência do público à Avenida Cidade de Lisboa?
Em termos de desfile, costumam passar alguns milhares de pessoas, mas é difícil saber quantas ao certo. Mas tem-se verificado um aumento da quantidade de participantes a cada ano. Quanto aos que vão assistir, também esperam-se milhares de pessoas. Este ano, estamos a criar condições para que haja alguma oferta de bebidas, sumo e água, ao longo da Avenida. Iremos ter a habitual tribuna de honra para os convidados. Com o envolvimento da Polícia Nacional, das Forças Armadas, da Guarda Municipal e de todos os munícipes, as condições estão criadas e tudo está a postos para termos um carnaval de acordo com o que as pessoas da Praia gostam.
Como avalia a evolução do carnaval na cidade da Praia nos últimos anos?
O carnaval na cidade da Praia já teve momentos muito fortes, há alguns anos, mas depois começou a cair. Penso que é preciso inverter essa situação, porque se não apoiarmos o carnaval, ele morre. Penso que há costumes que exigem uma concertação estratégica entre o poder local e o poder central, no sentido de defendermos a nossa cultura, sobretudo se queremos ser um país turístico. Não há destinos turísticos sem produtos culturais genuínos e tradicionais. Temos de criar essa dinâmica e transformar a nossa cultura em algo com a qual possamos ganhar dinheiro, pois é um produto que pode ser altamente rentável.

Cinzas mais importante que Carnaval
Este ano, a Câmara Municipal da Praia decidiu realizar a primeira edição da Feira de Cinzas, de 7 a 9 de Março. Qual é o objectivo desta iniciativa?
O objectivo principal é melhorar as condições de comercialização dos produtos agro-pecuários e pesqueiros das cinzas, através da realização de uma feira específica para isso. O segundo objectivo é a promoção internacional da festa de cinzas, como um produto cultural e turístico na cidade da Praia. Na ilha de Santiago, a festa das cinzas é a mais importante, pelo menos em termos de envolvimento de pessoas e de famílias. Além disso, é uma festa com características ímpares. Nenhuma casa nega comida. Todos comem e bebem à vontade. Djagacida, peixe seco, xerém, cuscuz com mel, etc. Muitos imigrantes vêm nessa altura para a festa de cinzas. 

Quais as motivações para a realização da feira?
Temos notado, ao longo dos anos, que na Rua 5 de Julho as rabidantes e produtores têm estado a vender os produtos em situações pouco higiénicas, o que não é rentável para eles. Então, este ano decidimos fazer uma proposta de criar uma zona, ao lado do Auditório Nacional, com expositores para venda de produtos. A ideia também é transformar o local num espaço cultural, com música, principalmente batuque e funaná, mas também com barracas onde as pessoas possam experimentar, de graça, determinados produtos típicos da cinza. A iniciativa é realizada em parceria com a Direcção Geral da Agricultura. A feira decorre na segunda-feira, das 10h às 18bh, na terça das 8h às 18h, e na quarta-feira das 8h às 12 horas. Estamos a criar todas as condições sanitárias para que as pessoas se sintam bem no local.
Quem serão os beneficiários da iniciativa? 
A feira é realizada a pensar e dirigida aos rabidantes e aos produtores da ilha de Santiago. As pessoas podem inscrever-se antecipadamente e terão o seu espaço gratuitamente. Queremos que esta feira seja uma realidade, e seja mais forte no próximo ano, para que as cinzas se transformem num produto cultural de Santiago, e da cidade da Praia em particular.
Que outras actividades estão previstas?
Temos actividades culturais diversas. Temos música, actividades em que as pessoas possam ver como se faz o mel, degustação de cuscuz, distribuição de receitas, entre outras.
A feira irá culminar com a realização de um almoço na rua 5 de Julho. 
Sim. Falamos com alguns restaurantes da Praia, para possibilitar que as pessoas comam os produtos tradicionais das cinzas. Alguns restaurantes vão proporcionar aos turistas, a possibilidade de degustar produtos das cinzas. Já fizemos reuniões com agências de turismo e restaurantes. Durante o almoço, também haverá música com batuque e funaná.
Em termos de orçamento, que valores foram disponibilizados pela autarquia?
Entram várias organizações na realização do evento, mas não teremos grandes gastos. Apenas criamos as condições para a realização das actividades. Quem faz os produtos, em termos de restauração, são privados. O mais importante para nós é que as cinzas comecem a ser vistas de forma diferente na Praia. Queremos que as cinzas tenham algum impacto cultural, pois representam um dos elementos mais fortes na nossa cultura, que é a nossa gastronomia. A gastronomia das cinzas é marcante e todos gostam. Queremos que seja um produto turístico.

Fonte: http://www.expressodasilhas.sapo.cv/pt/noticias/detail/id/23438
 

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