sábado, 16 de outubro de 2010

Conhecer e reflectir Cabo Verde

Cabo Verde é um pequeno arquipélago, de origem vulcânica, situado no Oceano Atlântico, a 460 km do Senegal. Um paraíso que “deus criou no meio do oceano”, composto por 10 ilhas e alguns ilhéus. A vida em Cabo Verde é feita de sons e cores, das paisagens, da sua gente e da cultura espelhado nas diversas manifestações culturais.
A História de Cabo Verde começa em 1456 a 1460, época do seu descobrimento por Diogo Gomes, um navegador ao serviço da coroa portuguesa. Acredita-se que o arquipélago de Cabo Verde não era habitado até a data do descobrimento. Entretanto ainda não existe estudo historiográfico que aponta o sentido contrário. Cabo Verde tornou-se Independente em 5 de Julho de 1975.

  As causas da descoberta de Cabo Verde apontam para o acidente (sem intenção). A efectiva descoberta terá acontecido em 1454 por Diogo Gomes e Cadamosto, e as restantes ilhas em 1961 por Diogo Gomes e António da Noli. A primeira ilha a ser colonizada é a de Santiago, a Cidade da Ribeira Grande (actual Património da Humanidade). A Cidade da Ribeira Grande foi das mais importantes cidades portuguesa nos trópicos, servindo-se como entreposto comercial, de escravos e de outras mercadorias para outras latitudes.

É na cidade da Ribera Grande de Santiago que terá acontecido as primeiras manifestações de crioulização, espelho da cabo-verdianidade. A língua crioula é o espelho dessa crioulização, terá nascido do encontro de dois grupos étnicos em presença, o portugueses e os africanos.
A importância da Cidade da Ribeira Grande de Santiago ultrapassa o contexto local. A sua posição estratégica teve reflexo no descobrimento e desenvolvimento de outras latitudes no contexto mundial. Enquanto entreposto comercial, foi importante no comércio transatlântico de pessoas e bens.

Entretanto a sua pujança no contexto da época foi alvo de cobiças por parte dos piratas que contribuíram para o seu declínio. Em 1541 foi atacada por piratas, entre eles o corsário Francis Drake, em 1585. Subsequentemente a Cidade entrou em declínio no decorrer da invasão do pirata francês, jacques Cassard, em 1712.

Com a transferência do centro da urbe para a Praia, a importância de Cabo Verde foi decrescendo consideravelmente, facto visível, com abolição do tráfico de escravo em 1876.  
No século XX, o vento dos movimentos nacionalistas dos países anglófonos e francófonos chegou aos Países Africanos da Língua Oficial Portuguesa (CPLP) com novas formas de luta para a Independência. Cabo Verde tornou-se independente em 5 de Julho de 1975, sendo neste momento uma República Democrática, com alternância no poder. 
Actualmente Cabo Verde, aos olhos do mundo, é um país com grande capital de confiança no contexto internacional fruto da estabilidade governativa e da perseverança da sua gente. O desenvolvimento de uma política de aproximação e de diálogo intercultural, de valorização dos Direitos Humanos, do regime democrático, de comércio livre, etc. são, sem dúvidas elementos estruturantes que capitalizam novos valores: um país glocal.

Cabo Verde não é só Praia mas sim Nação Global. Não pode existir “filhos de dentro e filhos de fora”, inside and outside. Never more! Todas as ilhas têm as suas potencialidades e suas especificidades que precisam ser investigadas, trabalhadas e consumidas como produtos de valores educativos, turísticos e de cultura. Apostar nas pesquisas interdisciplinares, mesmo de forma voluntária, pode trazer alguma luz para investigações mais elaboradas.
Com o desenvolvimento do turismo é cada vez mais necessário Pensar, Investigar, Re-Inventar Cabo Verde nas diversas dimensões: humana, cultural, ambiental, filosófica, política, etc. A vantagem de ser uma nação crioula garante ao País elementos importantes que precisam ser explorados e potencializados enquanto activos culturais de prestígio. É preciso fazer um trabalho de fundo da memória da nação (ilhas globais), desenvolver os meios de memória e outros lugares de memória capaz de fomentar a cidadania e a criatividade.

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