Monumento Revolta Ribeirão Manuel

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sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Eterno Luis Morais; um artesão cultural - Boas Festas

Boas festas e muita alegria. Nesta época especial era/é tradição tirar boas festas nas casas dos vizinhos; era a sociabilidade à falar alto. As pessoas recebiam os vizinhos e estranhos para comungar os sentimentos e os anseios de um novo ano. Infelizmente as coisas têm acontecido de forma diferente. As casas são vedadas, os vizinhos já não existem como antigamente, e a boas festas acontecem nas memórias de cada um. Luis Morais soube mais do que ninguém eternizar esta tradição popular típicamente cabo-verdiana. Boas Festas para todos nós e que o ano 2011 seja de concretizações e de entre-ajuda.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Cultura cabo-verdiana: a crioulização e a oficialização do crioulo

Esta reflexão vem na sequência de vários artigos de opinião, fóruns nas redes sociais, etc., que têm debruçado, apaixonadamente, sobre a temática da oficialização ou não da língua cabo-verdiana. Todas as posições veiculadas caem no lugar-comum: o património de todos nós, a língua materna, etc. No entanto esqueceram-se da dimensão holística da cultura cabo-verdiana espelhada na música e na língua cabo-verdiana como elementos de  desenvolvimento cultural e dialogo intercultural. A conquista planetária da música cabo-verdiana, fruto do fenómeno Cesária Évora e dos seus imigrantes, foi  e é objecto de muitos estudos académicos. No plano da lingua, o interesse é enorme, motivo de muitos estudos académicos. A Lingua cabo-verdiana não é muito falada no mundo, a sua implantação geográfica é muito residual. A par da música, a Lingua tende a  criar comunidades imaginada, geradora de diversas emoções. 

A cultura crioula é uma cultura cruzada e errante que penetra vários lugares e sentidos. O crioulo é sem dúvida um legado dos nossos ancestrais da colonização com grande importância no processo da globalização. Falamos crioulo, pensamos em crioulo, vivemos em crioulo com reflexo na polinização de lugares. É a entidade que nos une, constrói e reconstrói os vários lugares do mundo. A experiência local e da diáspora contribuem para alimentar essa visão, ao ver os vários reflexos da crioulização no enriquecimento da etnopaisagem dos vários lugares do mundo. A sua capacidade polinizadora reflecte-se nas discotecas, nas universidades, nos bairros, nas paisagens sonoras, enfim, na experiência transnacional que envolve novos profissionais da contemporaneidade, os Djs, os músicos, os artistas plasticos, dançarinos, jogadores, etc. Por isso, o seu valor patrimonial é sem dúvida muito importante.
A oficialização da língua cabo-verdiana é um processo em consolidação. No entanto é necessário fazer um trabalho que envolva vários campos disciplinares. Não se pode negligenciar o conhecimento comum, o dia-a-dia que alimenta e apimenta a vida, na língua, na labuta diária; esses constituem stock de conhecimento importante para o enriquecimento de uma cultura. É pena, como sempre, que as coisas tenham sido impostas, sem um debate de fundo envolvendo vários agentes da nossa sociedade. Qualquer processo de negociação colectiva tem que ser equacionada os vários argumentos que envolvem contraditórios e posterior consenso.
Apesar de grandes avanços nos meios de transporte, de comunicação e de informação que apertam as distâncias entre as ilhas, ainda não se conseguiu neutralizar os conflitos regionais que matizam a nossa sociedade há vários anos. O argumento culinário do ex-ministro da cultura com vista a posterior uniformização do crioulo, com a mobilidade sócio-espacial da população das ilhas é um falso argumento. As experiências de outras latitudes mostram que esse processo, para além de perigar as especificidades regionais, irá chocar com as resistências de várias ordens: sociais, psicológicos, politicas e naturais. O que se depreende é mais uma postura hegemónica do variante de Santiago sobre as outras ilhas. O entendimento da generalidade da população cabo-verdiana é de que a oficialização põe em perigo as outras variantes das ilhas e regiões do país. Acredito, mesmo que tal intento teria impacto negativo na riqueza das expressões culturais que tem pautada a nossa literatura e outras criações dos homens das ilhas. A riqueza patrimonial da nossa língua tem a ver com a sua diversidade de expressão, dos variantes regionais, com a sua história e peripécias que moldam o espírito criativo dos homens das ilhas.

Minhas notas de 2009: Que museu para o Campo de Concentração do Tarrafal?

Muito se tem falado e pouco se tem feito para honrar o lugar de memória que é o ex- Campo de Concentração do Tarrafal. Um lugar como todos nós sabemos, sustenta representações negativas, mas que pode adoptar uma imagem positiva se os decisores adoptassem uma postura mais dinâmica e menos autista.
Para este espaço, trouxe uma pequena reflexão do que poderá ser um projecto científico para o Museu de “Resistência” ou de “Liberdade”. Sei que vai haver um Simpósio para obter subsídios para a efectivação do projecto museológico. Uma coisa é certa, o Campo de Concentração do Tarrafal é o património de todos nós. Sem contudo, esquecer as responsabilidades de Portugal, Angola, Guiné-Bissau, etc. Cabo Verde tem o grosso de responsabilidade ao assumir a sua territorialidade como principal factor desse processo. A externalidade positiva desse espaço associado a dinâmica enquanto campo cultural, se for bem estruturada cientificamente, é incontornável.

O Campo prisional do Tarrafal deve seguir a mesma lógica em termos de vocação de outros sítios de memória que se dispersam pelo mundo. Falo dos museus, The Workhouse, Museu de Gulag (único acampamento de trabalho estalinista na Rússia), Museu de Distrito Seis (na África do Sul, reflexo do regime Apartheid), Museu de Guerra da Liberação (Bangladesh), Maison Gives Esclaves (no Senegal), Terezín Brief (na República Checa), etc., enfim, dos vários sítios com uma carga simbólica marcada pela violência. Esses lugares comuns estão ligados através um Web de consciência, ( www.sitesofconscience.org) que dão visibilidade aos programas, conferências, fóruns que debatem os valores da democracia e da liberdade.
A organização transcontinental, União Internacional de Museus dos Sítios Históricos de Consciência visa acima de tudo o respeito pelos valores da humanidade, ao assumir a responsabilidade de se adequar a educação e a cultura como ferramentas fundamentais de entendimento entre as nações. Para isso, a rede desenvolve e tem desenvolvido uma série de programas, tais como interpretação dos lugares históricos, uma politica de tolerância que estimula o diálogo entre os homens, a promoção de valores humanitários e democráticos como funções primárias.
Todos esses valores poderiam ser canalizados para Cabo Verde que tem dado prova de persistência e audácia. A criação de um museu dessa natureza visa contribuir positivamente para a consolidação da democracia quer a nível interno e externo, tendo em conta o papel que Cabo Verde pode desempenhar no contexto africano. O museu afirma-se neste caso, como agente catalisador para a tolerância e a vivência democrática. É um agente eficaz de socialização e um elemento essencial de desenvolvimento da sociedade, pela sua acção no processo de educação permanente dos indivíduos e da sociedade.
O valor cultural, histórico e Patrimonial do ex-Campo de Concentração é incontornável. Para a efectivação de um projecto científico com credibilidade, precisamos de reinventar a nossa maneira de ser. Uma perspectiva de reinvenção cultural que valoriza o património e as pessoas que dele fazem parte.
Artigo publicado no Jornal A Nação em Março de 2009

domingo, 26 de dezembro de 2010

Museu da Resistência e a coligação Internacional dos Lugares de Consciência: a projecção internacional.

O Museu da Resistência (antigo Campo de Concentração do Tarrafal) ganhará a sua projecção internacional se se incluir na sua agenda a coligação com os Lugares de Consciência. Pela carga histórica e natureza do sítio, o Museu da Resistência do Tarrafal só terá a ganhar se desenvolver, no quadro de uma transformação profunda da política cultural e museológica em Cabo Verde e da Lusofonia, com a aderência dos Sítios de Consciência no Mundo.



quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Patrimonium.cv: Viagem no tempo

A memória é uma viagem. Viagem pelo subconsciente; viagem pelas ruinas do corpo, do sítio e da cidade. A memória é a materia prima da História; é o silêncio e a persistência de um olhar num foco; é o silêncio que povoa o imaginário e que dá sentido à memória colectiva.
A viagem caleidoscópica remete para o passado, presente e o futuro. Trata-se de um fluxo que penetra, entrecruza...  Um passado feito de violência e alegria. Num simples bater do coração.

A conservação da memória e a política memorialística em Cabo Verde

Cabo Verde é um país de desafios. A sua história, de quinhentos e tal anos, é uma trama policromática que ajuda à compreender o trilhar dos caminhos, a contingência ecológica e os desafios numa sociedade globalizada. Fazer um trabalho de memória é o reencontro do percurso colectivo de um povo capaz de fintar as lamúrias do tempo numa senda vitoriosa para os desafios da nação global.




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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

O Museu e o pós-colonialismo: o questionar da Modernidade.

O museu é uma realidade que está em constante mutação. A sua origem confunde-se com a história da humanidade, no que respeita à prática de coleccionismo e a racionalidade que subjaz a sua materialidade. Não se pode separar o surgimento e o desenvolvimento dos museus do colonialismo; ou melhor, as conquistas europeias de novas terras, pessoas e cultura traduziram na criação de espaços enquanto power container (Giddens, 1981).
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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Campos de Concentração: a cruzada contra os Direitos Humanos.


O Campo de Concentratação do Tarrafal não foi construido num vazio ideológico. A sua construção foi influenciada pelos movimentos fascistas e nazi que floresceram na época de grande incerteza no Ocidente: crise social e económica, fermentação ideológica de pendor hegemónica, etc. É evidente que não se compara, em termos de processos de assassínio em massa, dos outros Campos Nazi e fascista; o caso do Tarrafal foi mais "suave" comparando com as outras tendências.
O que se pretende reflectir é sobre a violação dos Direitos Humanso e  a tranfomação desse lugar de memória num lugar de reflexão crítica que congrega as diversas tendências ideológicas, de credo e etnicidade.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Proposta dos serviços versus repensar a musealização do sítio.




Tendo em conta a história do fascismo português e a luta da libertação dos Povos Africanos da Língua Oficial Portuguesa, o Museu da Resistência deve ser pensado como projecto supra nacional. Um projecto colectivo para o qual todos devem envidar esforços para edificar, nesse sítio de memória, um espaço de diálogo e de desenvolvimento cultural. É o dever da memória, a dimensão histórica e a causa comum que faz do Campo um espaço de compromisso entre os PALOP, Portugal e o Mundo.
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quinta-feira, 25 de novembro de 2010

patrimonio imaterial e natural- Odilia Brandão

Se a Morna é consensual como uma potencial obra a figurar na prestigiada lista da UNESCO dos bens orais e imateriais da Humanidade, muitos outros menos conhecidos, mas originais ou raros são apontados por um naipe de figuras cabo-verdianas, como dignos da preservação e susceptíveis de um olhar global que nos pode surpreender: O “choro ou guisa nos funerais”, as “divinas”, a “saga do milho”, o “batuque”, a “ilha ecológica de Santa Luzia”, as “paisagens rurais”, da Ribeira Brava a “viola de dez cordas”, a “festa da bandeira”, a “morabeza”... De Otília Leitão

Estas sugestões surgem a propósito da recente entrada de 47 elementos para esse “património imaterial” da Humanidade, onde, dos países africanos de língua portuguesa apenas figura Moçambique com os seu “Timbila XiChope” e a dança ritual de “Gule Wamkulu”. Para isso instei dez pessoas, de diversas áreas, numa amostragem aleatória, e com o método do “brainstorming” para apontarem realidades cabo-verdianas com idêntico potencial.
Esta organização da ONU aprovou pedaços culturais raros, aspectos que perduram no tempo com uma identidade genuína ou até particularidades que o tempo pode extinguir, em vários países, “coisas que passam de geração para geração” e que tem de ser reconhecidas pelas comunidades.
Os saberes, os modos de fazer, as formas de expressão, celebrações, festas e danças populares, lendas, músicas, costumes e outras tradições, são áreas que podem redundar em aprovações como a “wincuza”, ou a dança do culto da cura no Malawi, o poema épico “Hilali” do Egitpo; “Yaaral e do Degal” ou pastagens do povo peul do delta do Níger, no Mali; o “chili” comida tradicional mexicana, ou ainda a “acumpuntura” na medicina chinesa.
A listagem inclui até ao momento 232 elementos “intangíveis”, de todos os continentes, onde a Ásia, e em particular a China, detém o maior número de obras. As opiniões recolhidas foram comuns quanto ao potencial da “Morna”, mas diversas quanto ao tipo de bens imateriais a preservar. Unânime foi a certeza de que compete ao governo cabo-verdiano, através do seu Ministério da Cultura, “fomentar o processo”, mas, também “à sociedade civil em zelar e pressionar”, para que esses bens sejam recuperados, preservados. Só assim, dizem, é que esses bens exercem a sua função aglutinadora da cultura de um povo, e serem fomentadores de beleza e prazer ao olhar dos seres humanos do planeta.
Moacyr Rodrigues, um investigador, etno-musicólogo, que está a preparar um doutoramento sobre a Morna, é peremptório: “A Morna deve ser património Imaterial da Humanidade”, pela sua universalidade. Celina Pereira, cantora e pedagoga, uma “eugeniana” pela sua preferência pelo compositor Eugénio Tavares, refere ter sugerido por diversas vezes às autoridades do país a candidatura deste género musical cabo-verdiano.
Na opinião do pintor Jorge Cardoso, co-autor do painel de azulejaria da bela gare ferroviária do Rossio, a “morabeza” deve ser também eleita, pois ela é como “expressão de amizade própria” do povo cabo-verdiano, uma espécie de “portal do mundo”, algo imaterial que se concretiza aqui e ali, um pouco por todo o globo.
Titina, cantora, cultora da pureza e tradição da Morna, cuja obra acentua ao preferir as composições de B.Lèza, aponta a “saga do milho”, este como um elemento natural, elementar na cultura cabo-verdiana. Desde o ritual laboral na sua sementeira, descasca e transformação, fomentando as cantigas, a música e a poesia , atravessando a gastronomia do país. Os célebres pastelinhos de milho que variam de ilha para ilha, tomando o nome de “pastelinhos com diabo dentro”, em Santiago, são exemplo da plurifacetagem cultural que este alimento assume num povo.
Para a poetisa Carlota Barros, autora de vários livros, as “Divinas” de S.Nicolau são uma particularidade da cultura cabo-verdiana, um ritual religioso que se podia recuperar. “Elas têm a ver com a espiritualidade de um povo”, e explica: “ Ao fim da tarde vêm as pessoas, descendo a ladeira, para rezar aos santos ou os seus ancestrais para pedir chuva”.
As paisagens rurais são igualmente um património e a poetisa lembra a zona rural da Vila da Ribeira Brava, hoje cidade, “com as casas de arquitectura colonial, que estão a ficar degradadas sem telhas nos terraços. A recuperação à traça original lhe consagrariam um elemento valorativo na paisagem rural cultural, única”.
Madalena Semedo, gestora, fala do “choro" ou “guisa” quando as pessoas morrem e os seus familiares vão chorar os entes queridos. “É um ritual fúnebre que tem um choro próprio, em crioulo, mesmo os funerais que se fazem de cabo-verdianos em Lisboa, tem esse sentimento que se expressa em crioulo”, nota, acrescentando todo o ritual dos violinos cujos sons que saem das cordas são também choros de alma, ao acompanharem o cortejo fúnebre. Às vezes, vão as “choradeiras ou carpideiras”, mulheres que sem pertencerem à família, são contratadas para chorarem. “Os choros também variam de ilha para ilha...”
O “Monte Cara”, essa rocha onde a natureza esculpiu um rosto humano, é também um bem natural a valorizar nessa imaterialidade global diz a gestora, para quem Cabo Verde tem muitas outras coisas dignas da lista das obras mundiais imateriais, pela sua singularidade: no Paúl, a “Passagem”, pela paisagem de vegetação onde cai água natural; a “Tabanca” ou ainda o “pôr do sol”, à determinada hora na Cidade Velha.
Para Adérito Pontes, músico conceituado, obrigatório nos maiores eventos musicais, a Morna “com certeza”, mas “temos também a viola de dez cordas”, instrumento muito antigo e que precisa de ser preservado. A Ilha de Santa Luzia, pela vertente ecológica, humanamente inabitável, mas paraíso de “muitos pássaros e vegetação rasa”, é outra das particularidade do país.
O “Batuco” é, para Rosa Moniz, jornalista e deputada municipal de Sintra, um estilo e ritmo musical que poderia ser património imaterial, pois, considera, “é um elemento de diálogo e de proximidade”, particular de mulheres e exprime-se onde quer que se encontre nas comunidades.
Antónia Pimentel , dirigente associativa, considera que também as “lendas” nas tradições orais, que deviam ser património imaterial e nota que a sociedade civil tem de se mobilizar para desde já, as riquezas imateriais, tal como as materiais, sejam preservadas para o país para riqueza dos povos. O Dragoeiro é também, pelo seu significado, um bem a preservar para a Humanidade.
No olhar do fotógrafo Jorge Martins, autor de várias exposições sobre a cultura de Cabo Verde através da fotografia e do tempo, além da Morna, também o “Funaná”, as festas do “Tambor e Pilão”, a “Festa da Bandeira”, ambas da ilha do Fogo. “Tudo deve ser pesquisado, investigado, e preservado”, opina este autor, que enfatiza: “A sociedade civil deve ter um papel activo e zelador daquilo que é a sua ancestralidade e história”, sob pena de olhar para trás e já nada encontrar por alguma insensibilidade que origina o abandono.
O “homem crioulo”, enquanto ser de uma miscegenização europeia e africana, como o tem sugerido David Hopffer Almada no seu discurso e num livro “em defesa da cabo-verdianidade” , é também uma hipótese , admissível por Jorge Martins, já que a Unesco tem aceitado bens que são comuns a diversos países, como o fez recentemente com a “comida mediterrânica”. Nessa linha, também o “crioulo” enquanto língua falada e comum a outros países, seria susceptível de figurar no elenco das obras mundiais “intangíveis”.
Estas distinções, lembra Jorge Martins, são também para “encorajar os portadores do conhecimento a identificar, revitalizar e a salvaguardar a sua herança”.
As festas de “Colá Son Jon”, a “quebra cabeça”, a “catchupa” foram outros bens apontados por vários inquiridos nesta amostragem. Cada “item” pode ser nomeado para a lista organizacional da UNESCO - criada em 2003, no âmbito da Convenção de 1997 - por um ou mais países, ou nomeado por um país mas apoiado por outros.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Olhares sobre o Museu da Resistência: Prática ou discurso?

A conversão do Campo de Concentração num museu deve ser entendido como um compromisso do passado para com o futuro. Sendo o tempo uma incógnita, o futuro do Museu da Resistência dirá sobre o seu uso e destino. Ao comparar o Campo de Concentração com o agora Museu da Resistência pode-se argumentar que este espaço de memória conquistou o simbolismo de ser um espaço de reflexão crítica.
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quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Museu da Resistência um projecto transnacional

A sobrevivência de uma sociedade passa necessariamente pela conservação da sua identidade colectiva. É através deste processo que se desenvolve a cultura e a identidade de um povo. A criação dos suportes da memória contribuem para a perpetuação e a transmissão da memória colectiva, como forma de fazer face ao esquecimento que possa ter sido movido por interesses de ordem ideológica, política ou socioeconómica. Pierre Nora (1992) chamou de “lugares de memória” os inúmeros suportes de memória como lugares físicos (museus), os textos, objectos que têm a função de condensar a memória colectiva de uma nação.
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Campo de Concentração do Tarrafal: uma resistência comum

O Campo de Concentração do Tarrafal testemunha a herança do fascismo português. É a incorporação simbólica de centenas de opositores do regime e nacionalistas africanos. Nos dois períodos (1936 a 1954: de 1962 a 1974) que funcionaram o Campo estiveram presos 340 antifascista dos quais 32 faleceram de doença e maus tratos; dos 238 nacionalistas africanos presos morreram 4 até ao encerramento do Campo. Os homens que sobreviveram são os resistentes ao regime. Os resistentes são símbolos de luta e determinação para uma sociedade mais justa e sem atropelos democráticos. Os protagonistas são homens de Portugal, de Cabo Verde, da Guiné-Bissau, de Angola que aderiram à Resistência não por capricho, mas sim, na base da escolha de uma doutrina que espelha os valores da Humanidade, da liberdade e da autodeterminação.
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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Lugares de memória: monumentos e sítios – Monumento à fome

Três colunas de ferro branda ao céu. Os anéis que jazem horizontalmente entre as colunas testemunham as almas ceifadas, num fatídico dia de domingo.  O dia 20 de Fevereiro de 1949, a ilha de Santiago conheceu o mais mortífero assassínio em massa. No contexto em que o povo das ilhas morria de fome, o cataclismo da assistência abafou quaisquer sentimentos espontâneos matizados nas ilhas de Cabo Verde. O desastre da Assistência fez 232 mortos e 47 feridos, os famintos que calcorreavam diariamente para a procura de alimentação.
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Lugares de memória: monumentos e sítios – Monumento da Resistência

O Monumento da Resistência é o encontro com a história dos ausentes-presentes que um dia viram na rebelião, um quadro espontâneo de autêntico finka pé, uma forma de transmissão da mensagem contra os desmandos das autoridades colonial. O acontecimento, Raboita di Rubon Manel, homi faka, mudjeres matxadu, imortalizado pelo malogrado cantor-compositor, Orlando Pantera fez eco na memória colectiva dos santiaguenses.




domingo, 7 de novembro de 2010

Lugares de memória: monumentos e sítios

Ao longo da história, a Emigração tem sido vista como se de uma fatalidade se tratasse, algo que faz parte integrante de uma certa forma de ser e de estar. A temática da emigração tem sido tratada nas mais diversas ilustrações literárias, iconográficas e musicais. O dilema, “ter de partir” e “ter de ficar” é um exemplo ilustrativo da idiossincrasia dos cabo-verdianos que procuram fintar as amarguras da vida, marcada pela insularidade, pobreza e de querer, para uma vida melhor.
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Localização: cidade da Praia- junto da Aeroporto Internacional

Na época mais recente, a valorização memorial da emigração foi materializada com a construção dos monumentos para honrar as memórias dos emigrantes. É o momento de reconhecimento dos milhares dos emigrantes espalhados pelo mundo.
Construir os monumentos para fins estéticos é melhor não construir. É necessário que as pessoas de Cabo Verde e dos que visitam tenham uma imagem positiva dos emigrantes. Pessoas anónimas, ausentes-presentes, que por razões económicas, políticas, sociais e outras, deixaram o país para a procura de uma vida melhor. A construção de um monumento nunca pode ser alicerçada no vazio. Com vista a socialização dos valores da emigração é importante questionar o seguinte aspecto: qual é o significado e a função social de tais monumentos? Que valores veiculam? Questionamentos que nunca serão satisfeitas, se vermos o monumento como mera figura decorativa da paisagem urbana. Sendo o monumento meio de transmissão da memória é necessário arranjar plataformas dessa transmissão: a escola, a comunidade e o turismo.
São Antão - Porto Novo 

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Que museu para o ex-Campo de Concentração do Tarrafal?*


No artigo anterior falamos do ex-Campo de Concentração do Tarrafal, no quadro de um projecto museológico, da sua inclusão na rede “Museus de Consciência”. Por se tratar de espaços de experiência global, que divulgam valores da democracia e da liberdade, os membros procuram, como modo de alerta, vários sintomas que põem em causa tais valores.



*Artigo publicado no jornal A Nação; disponibilizado no site de AJIC

Panorama museológico em Cabo Verde


O despontar material do museu em Cabo Verde é um facto recente, fruto da abertura política ao multipartidarismo a época actual. Foram criados os seguintes museus: Museu Etnográfico da Praia (1997), Museu de Resistência do Tarrafal (2000), Museu de Tabanka (2001), Museu de Arqueologia da Praia (2004), Casa da Memória (2004) Museu Municipal da ilha do Fogo (2009), Museu de Arte Tradicional em São Vicente (2009) e, finalmente, Museu da Água na ilha de S. Nicolau. De certa forma este pequeno avanço está associado às mudanças de mentalidades e dinâmicas regionais.
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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Museus de Cabo Verde

Museu Etnográfico da Praia  Redigir
O Museu Etnográfico surgiu no âmbito da recolha etnográfica levada a cabo pelo Instituto Nacional da Cultural (actual IIPC). As recolhas dos objectos etnográficos aconteceram durante os anos de 1992 a 1995, nas ilhas de Santiago, Santo Antão, Boavista e Brava. O Museu foi inaugurado em 27 Novembro de 1997, tendo funcionado intermitentemente devido as obras de beneficiação do edifício. 



Localização
Rua 5 de Julho, no último quarteirão da rua Direita do Pelourinho.
Horário de visita
Segunda a sexta-feira: das 09:30 às 12:00 e das 14:30 as 17:30

Museu da Tabanca
O Museu da Tabanca, como a maioria dos museus de Cabo Verde, funcionou intermitentemente. O primeiro momento de funcionamento do Museu aconteceu com a sua inauguração em 2000; em 2005 foi encerrado para obras de requalificação do edifício, reabrindo com duas salas de exposição. Entretanto foi transferido para Chã de Tanque em 2010.



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Localização: Chã de Tanque- Santa Catarina
Horário de visita: Segunda à sexta-feira: 09:00-12:00 e 14:00-18:00
Contactos:

Centro cultural Norberto Tavares
O Centro Cultural Norberto Tavares está instalado no espaço que foi o Museu da Tabanca. O edifício que sustenta o Centro é o marco de desenvolvimento do Conselho de Santa Catarina, funcionando como sede do Concelho de Santa Catarina, na década de 30 do século XX. Depois funcionou como repartição da Fazenda Pública e dos Correios.


Museu de Arqueologia da Praia
A importância histórica de Cabo Verde no contexto da economia mundial, nos primórdios da expansão europeia, está bem vincada nos vestígios resgatados nos mares de Cabo Verde. Encontram-se vários navios naufragados nos mares, e cada um deles constituem valiosos tesouros enquanto bens simbólicos e documentais.




Localização: Chã de Areia, atrás do Arquivo Histórico Nacional
Horário de visita: Segunda à sexta-feira: 09:00-12:00 e 14:00-18:00 


Ver,  ainda, outros artigos relacionados 








sábado, 16 de outubro de 2010

Conhecer e reflectir Cabo Verde

Cabo Verde é um pequeno arquipélago, de origem vulcânica, situado no Oceano Atlântico, a 460 km do Senegal. Um paraíso que “deus criou no meio do oceano”, composto por 10 ilhas e alguns ilhéus. A vida em Cabo Verde é feita de sons e cores, das paisagens, da sua gente e da cultura espelhado nas diversas manifestações culturais.
A História de Cabo Verde começa em 1456 a 1460, época do seu descobrimento por Diogo Gomes, um navegador ao serviço da coroa portuguesa. Acredita-se que o arquipélago de Cabo Verde não era habitado até a data do descobrimento. Entretanto ainda não existe estudo historiográfico que aponta o sentido contrário. Cabo Verde tornou-se Independente em 5 de Julho de 1975.

  As causas da descoberta de Cabo Verde apontam para o acidente (sem intenção). A efectiva descoberta terá acontecido em 1454 por Diogo Gomes e Cadamosto, e as restantes ilhas em 1961 por Diogo Gomes e António da Noli. A primeira ilha a ser colonizada é a de Santiago, a Cidade da Ribeira Grande (actual Património da Humanidade). A Cidade da Ribeira Grande foi das mais importantes cidades portuguesa nos trópicos, servindo-se como entreposto comercial, de escravos e de outras mercadorias para outras latitudes.

É na cidade da Ribera Grande de Santiago que terá acontecido as primeiras manifestações de crioulização, espelho da cabo-verdianidade. A língua crioula é o espelho dessa crioulização, terá nascido do encontro de dois grupos étnicos em presença, o portugueses e os africanos.
A importância da Cidade da Ribeira Grande de Santiago ultrapassa o contexto local. A sua posição estratégica teve reflexo no descobrimento e desenvolvimento de outras latitudes no contexto mundial. Enquanto entreposto comercial, foi importante no comércio transatlântico de pessoas e bens.

Entretanto a sua pujança no contexto da época foi alvo de cobiças por parte dos piratas que contribuíram para o seu declínio. Em 1541 foi atacada por piratas, entre eles o corsário Francis Drake, em 1585. Subsequentemente a Cidade entrou em declínio no decorrer da invasão do pirata francês, jacques Cassard, em 1712.

Com a transferência do centro da urbe para a Praia, a importância de Cabo Verde foi decrescendo consideravelmente, facto visível, com abolição do tráfico de escravo em 1876.  
No século XX, o vento dos movimentos nacionalistas dos países anglófonos e francófonos chegou aos Países Africanos da Língua Oficial Portuguesa (CPLP) com novas formas de luta para a Independência. Cabo Verde tornou-se independente em 5 de Julho de 1975, sendo neste momento uma República Democrática, com alternância no poder. 
Actualmente Cabo Verde, aos olhos do mundo, é um país com grande capital de confiança no contexto internacional fruto da estabilidade governativa e da perseverança da sua gente. O desenvolvimento de uma política de aproximação e de diálogo intercultural, de valorização dos Direitos Humanos, do regime democrático, de comércio livre, etc. são, sem dúvidas elementos estruturantes que capitalizam novos valores: um país glocal.

Cabo Verde não é só Praia mas sim Nação Global. Não pode existir “filhos de dentro e filhos de fora”, inside and outside. Never more! Todas as ilhas têm as suas potencialidades e suas especificidades que precisam ser investigadas, trabalhadas e consumidas como produtos de valores educativos, turísticos e de cultura. Apostar nas pesquisas interdisciplinares, mesmo de forma voluntária, pode trazer alguma luz para investigações mais elaboradas.
Com o desenvolvimento do turismo é cada vez mais necessário Pensar, Investigar, Re-Inventar Cabo Verde nas diversas dimensões: humana, cultural, ambiental, filosófica, política, etc. A vantagem de ser uma nação crioula garante ao País elementos importantes que precisam ser explorados e potencializados enquanto activos culturais de prestígio. É preciso fazer um trabalho de fundo da memória da nação (ilhas globais), desenvolver os meios de memória e outros lugares de memória capaz de fomentar a cidadania e a criatividade.

sábado, 9 de outubro de 2010

PATRIMONIUM-CV

Apresentação

Tendo em conta as dinâmicas de desenvolvimento de Cabo Verde, com inúmeras iniciativas de cariz cultural, as programações nas áreas da museologia e do património não têm sido alvo de merecida atenção das autoridades oficiais, uma vez que carecem de melhor enquadramento técnico-científico. Os projectos dos museus e centros culturais, desenvolvidos até hoje, representam espaços de experimentações e de improvisos que carecem de sistematizações para a obtenção de resultados mais alargados.  
O Patrimonium.CV surge, como necessidade, para prestar serviços de consultoria e de produções nas áreas de museologia, museografia, desenvolvimento e produções de conteúdos educativos, estudo de públicos, organização de eventos, conservação preventiva nos museus, etc., visando o desenvolvimento integrado e sustentável da comunidade.
O nosso desafio é mostrar que a museologia é um instrumento importante para o desenvolvimento social, económico e cultural de uma comunidade. 
1.  Exposição

2.  Conteúdos educativos
 3.  Organização de eventos

4.  Outros serviços 
A nossa missão:

Patrimonium.Cv tem como principal missão prestar os  serviços de consultoria e de produções nas áreas de museologia, do património cultural e de organização de eventos culturais.



 Museus existentes em Cabo Verde:

Museu Etnográfico da Praia (1997);
Museu de Resistência do Tarrafal (2000);
Museu de Tabanka (2001/2010);
Museu de Arqueologia da Praia (2004);
Espaço museológico Casa da Memória (2004);
Museu Municipal da Ilha do Fogo (2009);
Museu de Arte Tradicional em São Vicente (2009);
Museu da Água na ilha de São Nicolau (2010);
Espaço museológico Casa de Eugénio Tavares (encerrado)